domingo, 19 de outubro de 2008

Fugaz

Se não havia razão no começo, então não havia paixão, mas tesão, a carne é fraca por definição, perene e fugaz, mas a alma é forte, e nela reside a razão do rompante em direção ao coração.
Ser tomado de acesso não denota amor, mas pavor, pavor de se sentir só, de ser taxado de solitário.
Afinal, qual é o problema de ser um só, eu sou só, eu sou único, como um floco de neve, como uma onda no mar, como palavras que transbordaram do coração antes de que a razão pudesse dar forma àquelas coisas que escorrendo como caramelo, saem de nossas bocas e se solidificam como cordas, vindo nos amarrar.
Na realidade nada tem um objetivo por si só, nada é em si o que definimos. A definição de utilidade preserva a nossa pele, o maior órgão do corpo humano, essa que nos protege dos intempéries da vida, porque haveria eu de maltratar aquilo que me protege. Como um homem maltrata a mulher que o protege da solidão, como uma mulher maltrata a mão que lhe afaga afastando com a sinistra todos os problemas que se entrepõe.
E essa ardência que insistes em chamar de amor não o é. Não mais é do que vaidade, maniqueísmo, usura.
Portanto a paixão que borra o amor não é nem será o alicerce de nenhum relacionamento, nem a pedra angular, que mesmo torta e sem forma, seria o que manteria a estrutura forte, em vez disso enfeitamos os alicerces e deixamos ruir aquilo que entendíamos por vida.

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